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Esquizofrenia: estudo brasileiro poderá indicar medicação mais adequada para cada paciente

27/11/2018
13:45

Desenvolvida na Unicamp (SP), pesquisa conseguiu identificar biomarcadores que podem sugerir a melhor abordagem para o tratamento da esquizofrenia de maneira personalizada.

Como quase todos os tratamentos psiquiátricos, a abordagem farmacológica da esquizofrenia é baseada no método de tentativa e erro. O caráter aleatório dessa abordagem apresenta alguns riscos inerentes. Não raro, o prejuízo ao quadro do paciente pode se estender durante meses até que a dose e o tipo da medicação sejam acertados.

Estima-se que metade dos pacientes não alcance melhora dos sintomas na primeira rodada de medicação – uma fase que dura, no mínimo, quatro semanas. Mas isso pode mudar em breve.

Um estudo brasileiro utilizou biomarcadores para encontrar um padrão capaz de indicar o melhor tratamento para pacientes com esquizofrenia. Os indicadores detectados pelos cientistas poderão ajudar profissionais a determinar qual a melhor abordagem terapêutica, concedendo maior assertividade ao processo de controle da doença.

“Os psiquiatras conseguem diagnosticar relativamente bem a esquizofrenia, mas não possuem testes nem ferramentas moleculares que os ajudem a escolher a medicação mais adequada para cada caso. A escolha do remédio é feita praticamente ao acaso", explica Daniel Martins-de-Souza, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e um dos autores da pesquisa, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo.

Publicado na revista Frontiers in Psychiatry, o estudo acompanhou 54 indivíduos que haviam sido diagnosticados recentemente. Os pesquisadores coletaram amostras de sangue dos voluntários antes da primeira rodada de medicação, que utilizou olanzapina, risperidona ou quetiapina – os principais antipsicóticos para o tratamento de esquizofrenia.

O segundo passo foi uma avaliação à resposta dos pacientes, realizada seis semanas depois. Na ocasião, eles foram classificados entre “bons” e “maus” respondedores.

Os médicos, então, coletaram o sangue dos pacientes novamente e analisaram as quantidades de lipídios – moléculas associadas à esquizofrenia –, a partir da técnica de espectometria de massa. "Estudos recentes mostraram que, nos pacientes com a doença, os lipídios presentes nas membranas das células cerebrais existem em quantidades alteradas”, explica Martins-de-Souza durante a entrevista.

Separando e avaliando os lipídios da primeira e da segunda análise, os pesquisadores encontraram alguns padrões moleculares. Com base nesses perfis, eles puderam perceber qual a melhor medicação para cada um dos participantes.

Agora, esses modelos poderão auxiliar psiquiatras a encontrar o melhor medicamento, extinguindo a enfadonha fase de tentativa e erro. O objetivo dos cientistas é criar um teste rápido para determinação da terapia medicamentosa, abreviando a fase de experimentações.

O ganho em eficiência aumenta as chances de melhora do quadro, reduzindo o sofrimento do indivíduo – que, em geral, apresenta agressividade, comportamento compulsivo e distorção da realidade. A medida, por consequência, também diminui o sofrimento da família. O estudo, no entanto, ainda está em fase inicial e deverá ser replicado em outras análises.